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21 de mai. de 2011

Ciência e Espiritualidade – Teoria da Complexidade vs Pensamento Cartesiano

“o pensamento complexo é animado por uma tensão permanente entre a aspiração a um saber não parcelado, não dividido, não reducionista, e o reconhecimento do que é inacabado e incompleto em todo conhecimento.” Edgar Morin, filósofo da ciência.

 

Me deparo hoje com um novo desafio, falar de espiritualidade a pessoas da ciência, a quem a curiosidade metafísica só alcançou após terem suas convicções de mundo solidamente construídas sobre os pilares do racionalismo cartesiano. Penso que minha tarefa não logra grande dificuldade, pois que também eu fui influenciado em algum momento pelo pensamento cartesiano e, coerente com as mudanças de paradigmas que caracterizam a evolução do conhecimento científico, só mais tarde descartei (com o perdão do trocadilho) o método de René Descartes em benefício da Teoria da complexidade de Edgar Morin.

Vou me valer do recurso ctrl C + ctrl V para estabelecer algumas premissas sobre as quais se desenvolverá meu pequeno artigo, respeitando a natureza linear do pensamento analítico cartesiano que possivelmente ainda vigora na mente daqueles a quem este artigo visa alcançar.


fractal

“Estamos acostumados a pensar uma série de dicotomias a respeito da “natureza” do ser humano, como sendo polos opostos ou contraditórios. Entre as mais importantes estão: matéria versus espírito, corpo versus mente, emoção versus razão, e animalidade versus humanidade. Elas são todas derivadas de uma dicotomia mais ampla, entre natureza e cultura. A partir do pressuposto de que estas sejam coisas separadas, estabelece-se uma barreira intransponível entre os universos animal e humano.”

Essa visão de mundo deve muito ao pensamento de Renê Descartes, que, embora tenha o mérito de ter sido um dos criadores da ciência moderna, separou matéria e espírito de forma irreconciliável. Em oposição a tais dicotomias, a ciência contemporânea propõe uma abordagem sistêmica, interdisciplinar e reintegradora daquilo que ciência tradicional segmentou.”

“Edgar Morin afirma que essa mudança de pensamento constitui a passagem de um “paradigma da simplificação” para um “paradigma da complexidade”. Outro importante aspecto desta nova forma de pensar é a ideia de que nenhum método ou teoria é suficiente para dar conta das múltiplas causas e facetas dos fenômenos estudados pela ciência. [...] Já não estaremos diante do conhecido problema de saber se o que vemos é ou um cálice ou duas faces quando entendermos que se trata tanto de um cálice como de duas faces...”

Fonte: Ercy Soar - Médico psiquiatra e psicoterapeuta, mestre em Psicologia e doutor em Ciências Humanas, professor de Saúde Mental da Universidade do Sul de Santa Catarina. http://homocomplexus.blogspot.com


“Os ideais que iluminaram o meu caminho são a bondade, a beleza e a verdade.”

Albert Einstein

METODO

Também Allan Kardec, codificador da doutrina espirita, entendia-se por cientista, o escritor e jornalista espírita Deolindo Amorim, num de seus artigos dedicados ao codificador, nos aponta alguns comportamentos observados na conduta de Kardec e nos quais podemos nos espelhar na busca pelo conhecimento espiritual:

“Allan Kardec revela-se, em tudo e por tudo, um homem de espírito científico pela sua própria natureza... Todas as condições indispensáveis ao espírito científico nele estão, sem tirar nem pôr, como diz o jargão habitual: em primeiro lugar, a serenidade com que encarou os fatos mediúnicos, com equilíbrio imperturbável, sem negar nem afirmar aprioristicamente; em segundo lugar, o domínio próprio, a fim de não se entusiasmar com os primeiros resultados; em terceiro lugar, o cuidado na seleção das comunicações; em quarto lugar, a prudência nas declarações, sempre com a preocupação de evitar divulgação precipitada de fatos ainda não de todo examinados e comprovados; em quinto lugar, finalmente, a humildade, que é também uma condição do espírito científico, interessado na procura da verdade, antes e acima de tudo.”

Fonte: AMORIM, Deolindo. Análises espíritas. Compilação de Celso Martins. 2. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995. (Allan Kardec e o espírito científico), p. 133-134


Relembremos então a evolução da metodologia científica na definição da Wikipédia e posteriormente uma análise do método científico empregado por Kardec no desenvolvimento de seus estudos devidamente explicado e contextualizado no artigo de Guilherme Knopak intitulado “Método Científico de Kardec”.

“O método científico é um conjunto de regras básicas para desenvolver uma experiência a fim de produzir novo conhecimento, bem como corrigir e integrar conhecimentos pré-existentes. Na maioria das disciplinas científicas consiste em juntar evidências observáveis, empíricas (ou seja, baseadas apenas na experiência) e mensuráveis e as analisar com o uso da lógica. Para muitos autores o método científico nada mais é do que a lógica aplicada à ciência.

Metodologia científica literalmente refere-se ao estudo dos métodos e, especialmente, do método da ciência, que se supõe universal. Embora procedimentos variem de uma área da ciência para outra (as disciplinas científicas), diferenciadas por seus distintos objetos de estudo, consegue-se determinar certos elementos que diferenciam o método científico de outros métodos (filosófico, algoritmo – matemático, etc.).

A metodologia científica tem sua origem no pensamento de Descartes, que foi posteriormente desenvolvimento empiricamente pelo físico inglês Isaac Newton. Descartes propôs chegar à verdade através da dúvida sistemática e da decomposição do problema em pequenas partes, características que definiram a base da pesquisa científica.

O Círculo de Viena acrescentou a esses princípios a necessidade de verificação e o método indutivo.

Karl Popper demonstrou que nem a verificação nem a indução serviam ao método científico, pois o cientista deve trabalhar com o falseamento, ou seja, deve fazer uma hipótese e testar suas hipóteses procurando não provas de que ela está certa, mas provas de que ela está errada. Se a hipótese não resistir ao teste, diz-se que ela foi falseada. Caso não, diz-se que foi corroborada. Popper provou também que a ciência é um conhecimento provisório, que funciona através de sucessivos falseamentos.

Thomas Kuhn percebeu que os paradigmas são elementos essenciais do método científico, sendo os momentos de mudança de paradigmas chamados de revoluções científicas.

Mais recentemente a metodologia científica tem sido abalada pela crítica ao pensamento cartesiano elaborada pelo filósofo francês Edgar Morin. Morin propõe, no lugar da divisão do objeto de pesquisa em partes, uma visão sistêmica, do todo. Esse novo paradigma é chamado de Teoria da complexidade (complexidade entendida como abraçar o todo).”

Fonte: Wikipédia

Método Científico de Kardec

“Para que se possa compreender o método científico que Kardec utilizou para realizar a codificação espírita é necessário primeiramente entender a concepção epistemológica que emergiu no século XIX e proporcionou diversas descobertas nas mais variadas áreas. Se Bachelard afirma que o novo pensamento científico no início do século XX se caracterizou por uma prioridade do racionalismo frente ao chamado realismo, o século XIX deu ênfase para o empirismo, construindo novas teorias através de experimentações, verificações e observações. Charles Darwin foi um dos expoentes deste método que também promovia inovações. Durante muito tempo as pesquisas científicas se limitavam simplesmente a observar, onde o cientista era treinado para colher dados e transcreve-los cuidando ao máximo para não interferir ou deles tirar conclusões precipitadas. Já na metade do século XIX, com o surgimento de obras voltadas especificamente para a epistemologia, o método se alterou: o pesquisador formulava a partir de suas observações hipóteses para posteriormente serem comprovadas ou descartadas mediante as evidências, sendo que no caso de serem refutadas novas hipóteses eram formuladas. Darwin, segundo consta dos revisores contemporâneos de sua obra, era exímio nesta arte de incansavelmente formular e reformular hipóteses submetendo-as aos experimentos e observações.”

“Kardec que fazia parte da construção desta nova mentalidade e possuía uma excelente educação formal, também se serviu deste método para elaborar a codificação espírita.” “O próprio exemplifica claramente isso na introdução do “Evangelho Segundo o Espiritismo”, ressaltando passo a passo como fazia para introduzir um novo conceito e construir o edifício do Espiritismo. Primeiramente ele colhia e analisava mensagens do seu entorno, oriundas dos médiuns com os quais trabalhava mais frequentemente. Quando aparecia uma nova idéia, ele avaliava se ela era logicamente consistente. Posteriormente ele combinava com todo arcabouço espírita já alcançado para perceber se havia coerência. Se a idéia passasse por estes critérios era formulada uma nova hipótese, que dependeria de observações para ser descartada ou corroborada. As observações ocorriam da seguinte forma: Kardec publicava a mensagem na Revista Espírita e aguardava respostas de várias partes do mundo com mensagens espírita versando sobre o mesmo assunto para perceber se havia ou não uma universalidade no conteúdo. Era um trabalho meticuloso de análise, para garantir que cada novo conceito houvesse passado por um critério rigoroso de verificação, tal qual os experimentos científicos da época. Quando uma mensagem alcançava este valor de universalidade, Kardec aguardava o momento adequado para lançar o novo conceito.”

Fonte: http://espiritismoempauta.blogspot.com

A doutrina espírita é baseada nos cinco livros da Codificação Espírita escrita pelo educador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, sob o pseudônimo de Allan Kardec, descrevendo sessões em que ele observou uma série de fenômenos que ele atribuiu à inteligência incorpórea (espíritos). Sua premissa da comunicação do espírito foi validada por muitos contemporâneos, entre eles muitos cientistas e filósofos que participaram das sessões e estudaram os fenômenos. Seu trabalho foi posteriormente prorrogado por escritores como Léon Denis, Arthur Conan Doyle, Camille Flammarion, Ernesto Bozzano, Chico Xavier, Divaldo Pereira Franco, Waldo Vieira, Johannes Greber e outros.

Fonte: Wikipédia


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Insisti até aqui em validar a fundamentação da doutrina espírita, por entender que algumas de suas premissas são fundamentais no desenvolvimento do conhecimento espiritualista, fazendo-se necessária sua aceitação para seguirmos adiante. Essas premissas são:

Reencarnação: É uma ideia central de diversos sistemas filosóficos e religiosos, segundo a qual uma porção do Ser é capaz de subsistir à morte do corpo. Chamada consciência, espírito ou alma, essa porção seria capaz de ligar-se sucessivamente a diversos corpos para a consecução de um fim específico, como o auto-aperfeiçoamento ou a anulação do carma.

A reencarnação é um dos pontos fundamentais do Espiritismo, codificado por Allan Kardec, do Hinduísmo, do Jainismo, da Teosofia, do Rosacrucianismo e da filosofia platônica. Existem vertentes místicas do Cristianismo como, por exemplo, o Cristianismo esotérico, que também admite a reencarnação.

Há referência recentes a conceitos que poderiam lembrar a reencarnação na maior parte das religiões, incluindo religiões do Egito Antigo, religiões indígenas, entre outras.

Fonte: Wikipédia

A Lei de causa e efeito: É um dos princípios fundamentais preconizados pela Doutrina Espírita para explicar as contingências ligadas à vida humana. Também é conhecida na literatura espírita como Lei da Causalidade.

Segundo ela, a todo ato da vida moral do homem corresponderia uma reação semelhante dirigida a ele, criando-se, assim, algo similar ao "cosmos ininterrupto de retribuição ética", a que alude Max Weber em Economia e Sociedade.

A Lei de causa e efeito, segundo a compreendia Kardec, distanciava-se da concepção de Karma, erroneamente difundida no Ocidente, por não admitir o determinismo.

Esta lei procura explicar os acontecimentos da vida atribuindo um "motivo justo", e uma "finalidade proveitosa" para todos os acontecimentos com que se depara o homem, inclusive o sofrimento.

Na filosofia budista, a chamada lei de causa e efeito parte do pressuposto que tudo o que é vivo no universo está sujeito a tal lei. Uma ação, uma palavra ou um pensamento, é uma forma de criar uma causa.

Aristóteles afirmava que "uma pedra de granito poderia se transformar numa estátua desde que um escultor se dispusesse a esculpi-la". Aristóteles acreditava que na natureza havia uma relação de causa e efeito e também acreditava na causa da finalidade. Deste modo, não queria saber apenas o porquê das coisas, mas também a intenção, o propósito e a finalidade que estavam por trás delas.

Fonte: Wikipédia

Comunicabilidade com os Espíritos: A mediunidade é o nome atribuído a uma capacidade humana que permite uma comunicação entre homens e Espíritos. Ela se manifestaria independente de religiões, de forma mais ou menos intensa em todos os indivíduos. Porém, usualmente apenas aqueles que apresentam num grau mais perceptível são chamados médiuns.

Fonte: Wikipédia


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Uma vez assimilados estas premissas, e aceitas as existências da reencarnação, da lei de causa e efeito e da comunicabilidade com os espíritos, pode-se avançar na pesquisa através da literatura e principalmente da pesquisa de campo.

Em ambas, sempre preferi a opinião dos espíritos desencarnados, por entender que estes, sem as limitações de um corpo físico, possuem uma percepção maior do multiverso e das leis que o regem, bem como da complexa relação entre as diferentes dimensões. Para saber o que pensam os espíritos, pode-se recorrer à leitura e, neste caso, encontraremos espíritos que possuem a vocação e treinamento para comunicar verdades, além do pleno entendimento de quais verdades podem ser comunicadas em determinados momentos. Em contrapartida, é na pesquisa de campo e no contato direto com estes espíritos que a convicção se fortalece e, tem-se ainda a possibilidade de formular as perguntas e conduzir o diálogo para a área de maior interesse.

Imagino que aqueles muito racionais, podem encontrar certas dificuldades em compreender e aceitar as limitações típicas das religiões, pelo menos assim foi comigo. Neste caso, se faz necessário o entendimento que as religiões existem para atingir determinado público e/ou realizar determinada tarefa, e que nenhuma delas tem a pretensão de explicar o mundo e todos os seus fenômenos, portanto devem sim ser estudas individualmente e sem exceção, mantendo o distanciamento crítico e respeitando sua parcialidade, uma vez que estão sujeitas à contextualização histórica e social, bem como a objetivos específicos.

A pesquisa de campo, para lograr maior êxito e gerar mais e melhores dados, deve ocorrer em mais de uma frente, contemplando as muitas religiões e o diálogo com seus iniciados, conversas sistemáticas com os espíritos que nelas atuam e experiências de caráter mediúnico e paranormal. Estas experiências o pesquisador deve realizá-las tendo sempre que possível ele mesmo como objeto de estudo e, na impossibilidade ou caso não logre resultados após um longo período, pode-se recorrer a pessoas de confiança que já tenham desenvolvidas a mediunidade e/ou paranormalidade.

É preciso sempre ter em mente que a mediunidade pode se manifestar de diferentes maneiras e, para melhor compreensão destes fenômenos, deve-se estudar a literatura que aborda os Chacras e suas funções. Esta matéria tem sido abordada tanto na literatura espirita quanto na teosófica (com mais metodologia e fundamentação científica) e também nas religiões orientais, como hinduísmo, taoísmo e budismo.

Nada impede que aquele que se dedica ao estudo da metafísica e seus fenômenos sinta-se mais a vontade em uma ou outra manifestação religiosa e, dedique-se mais intensamente a esta. Muitas vezes, suas próprias condições mediúnicas lhe conduzirão nessa direção. Neste caso, recomendo apenas que não perca de vista o paradigma da complexidade e não se deixe envolver por possíveis dogmas religiosos que tendem a negar o conhecimento oriundo de religiões e práticas distintas. Isto é comum aos religiosos e não aos espíritos, fora da realidade física, não se percebe separação e diferentes categorias de espíritos costumam trabalhar juntas para atingir objetivos comuns.

Resumindo: No meu modesto entendimento, pessoas que desenvolveram o espírito crítico e racional, a capacidade intelectual e a multidisciplinaridade, construíram condições internas que lhe favorecem a aplicação do paradigma da complexidade ao tema da espiritualidade. O próprio paradigma inclui - pela sua natureza - a espiritualidade como indissociável da matéria e, portanto compreender o multiverso  só é possível através de um ponto de vista amplo, não cartesiano, que contemple todos os aspectos da vida, dos indivíduos e das coletividades.


Neste blog incluí alguns livros que julgo fundamentais à compreensão do multiverso (já que o conceito de universo não é mais aceito pela ciência), porém ainda há muitos que não estão disponibilizados na web e outros que eu desconheço. Sintam-se, portanto, à vontade para sugerir livros e assuntos que possam contribuir neste aprendizado que nos propomos.

23 de abr. de 2011

Faz parte do meu show

 

“Ninguém precisa esperar tornar-se santo ou resolver-se intimamente para, só então, trabalhar em favor de algo nobre, que valha a pena, ou em favor de alguém. É possível empreender desde já o trabalho, com os recursos disponíveis em cada momento e, desse modo obter continuamente a capacitação para tarefas mais complexas, mais amplas.”

 

 

De fácil compreensão e com a participação de personagens famosos, como Chacrinha e Raul Seixas, “Faz parte do meu show” é um livro recomendável principalmente àqueles que ainda não estão familiarizados com as leituras espíritas. Ainda assim, na forma de narrativa em primeira pessoa, o personagem principal nos oferta uma série de informações da vida pós-morte que não estão presentes em outros livros do gênero. Assuntos como a sexualidade, o abuso das drogas e a violência encontram sua correspondência espiritual e suas consequências antes e pós desencarne, e são compreendidas pelo autor, que nos ensina à medida que aprende, compartilhando (para utilizar um termo atual) sua experiência com o leitor.

No livro, o espírito que - embora não se identifique - podemos identificar como o músico e poeta Cazuza, descreve seus primeiros momentos após o desencarne, suas descobertas, o encontro com inúmeros colegas desencarnados e sua adaptação, trabalhando junto àqueles que apresentam envolvimentos semelhantes aos que ele próprio desenvolveu ao longo de sua mais recente encarnação. Tudo isto com a ajuda do espírito Ângelo Inácio e do médium Robson Pinheiro.

 

Quem quiser ler o livro online pode faze-lo aqui no blog mesmo, clicando aqui, ou copiando o link abaixo para o seu navegador.

http://umbralrevisitado.blogspot.com/2010/12/faz-parte-do-meu-show-angelo-inacio-por.html

Selecionei alguns trechos do livro que julgo trazerem informações importantes, em um resumo técnico, retirado dos diálogos que permeiam o “romance espiritual”.

 

Do trabalho espiritual

“É da lei divina que os semelhantes auxiliem a si próprios na elevação espiritual”.

“Foi ali que descobri como funcionam as leis da vida. Podemos ficar anos e anos lamentando e sofrendo, mergulhados em nossa culpa, ou, ao invés disso, aproveitar as oportunidades da vida para trabalhar muito. Assim, à medida que caminhamos, encontramos solução para os eventuais problemas que todos trazemos dentro de nós, paulatinamente. Ninguém precisa esperar tornar-se santo ou resolver-se intimamente para, só então, trabalhar em favor de algo nobre, que valha a pena, ou em favor de alguém. É possível empreender desde já o trabalho, com os recursos disponíveis em cada momento e, desse modo obter continuamente a capacitação para tarefas mais complexas, mais amplas. O próprio trabalho, segundo pude aprender com a equipe do Frei Luiz, é a terapêutica por excelência; à medida que trabalhamos, resolvemo-nos diariamente, sem cobrança de perfeição.”

“Vi que muitos espíritos em situação moral semelhante à minha entregavam-se há anos intermináveis de lamentável angústia. Traziam, como eu, a consciência culpada; todavia, não se abriam para novas oportunidades de trabalho e, conseqüentemente, para receberem novas formas de auxílio.”

 

Da reencarnação

“Foi num desses dias que o Santuário recebeu uma equipe de espíritos samaritanos, que conduziam 14 outros espíritos em estado lastimável. Eram antigos membros do narcotráfico, que morreram de maneira brusca, violenta e complicada em um enfrentamento de grandes proporções nos morros do Rio de Janeiro. Minha atenção foi despertada juntamente com uma curiosidade sem limites”.

“Frei Luiz, o espírito responsável pelas atividades naquele lar, convidou-me a acompanhá-lo na recepção aos recém-desencarnados. Tais espíritos traziam a aparência de mendigos espirituais. Vestiam-se com trajes sujos e rotos; odor forte e desagradável emanava de cada um deles. Estremeci assim que me aproximei dos espíritos. Frei Luiz me amparou através de seu olhar profundo, cheio de equilíbrio.”

“Notei que esses seres pareciam vagar sem saber para onde iam. Talvez nem soubessem que haviam morrido para o mundo. Quem os visse certamente associaria sua aparência com aqueles filmes de terror que mostravam os chamados mortos-vivos. Era horripilante. Comportavam-se como zumbis.”

“Frei Luiz aproximou-se de cada um, falando baixinho nos ouvidos deles, locava de leve a cabeça de cada espírito, como a fazer um carinho, talvez um cafuné, mas eles não lhe registravam a presença. Apenas caminhavam, conduzidos por um samaritano. Frei Luiz beijou a face de um por um e os deixou seguir.”

“- Esses, meu filho - principiou o mentor -, são espíritos dementados e seriamente afetados em seu psiquismo mais profundo, devido ao grande mal que causaram aos seus semelhantes. Acostumados apenas a questões materiais, ligados ao poder e ao dinheiro, nem sequer sonham com a possibilidade de uma vida espiritual. É nosso dever ampará-los e conduzi-los ao internamento imediato.”

“- Então receberão tratamento médico-espiritual e depois serão esclarecidos quanto à sua situação de desencarnados?”

“- Não é tão simples assim, meu filho. O único tratamento eficaz para eles é a reencarnação. Serão conduzidos a novos corpos físicos. No caso de espíritos como esses que ora recebemos, que se especializaram no tráfico de drogas e no desrespeito total à vida, é necessário um corretivo social, internados em corpos físicos. Naturalmente que não retornarão ao mesmo meio de onde vieram, pois assim poderiam prejudicar novamente a comunidade à qual se vincularão. Experimentarão situação social compatível com a sua necessidade de reeducação.”

“- E onde espíritos assim poderão reencarnar para se corrigir ou educar?”

“- Passarão primeiramente por um breve tratamento magnético e somente após essa etapa poderão ser encaminhados a seus novos corpos. Onde? No caso específico desses irmãos, renascerão como mulheres, nos países árabes. Lá, sob o regime austero que vigora em certas nações, e por imposição da sociedade e da cultura a que estarão vinculados, enfrentarão as duras provas que promoverão o reajuste necessário. Somente bem mais tarde, após várias peregrinações nessas condições, é que poderão retornar ao clima espiritual do Brasil.”

“Esta, a razão pela qual o internamento em novos corpos físicos, através da reencarnação, será a terapia emergencial à qual fazem jus. Há outro aspecto envolvendo o caso desses traficantes. Ao reencarnarem em país distante do atual, em corpos femininos e "disfarçados" em meio a uma sociedade exigente, religiosa e austera, estarão também temporariamente escondidos de seus próprios obsessores particulares. Como você pode notar, todo o contexto reencarnatório, inclusive o ambiente cultural bastante diverso, foi planejado em detalhes, pois essa é uma etapa que merece cuidados especiais com vistas à reeducação de tais espíritos.”

 

O Sexo

“Passar para o outro plano da vida, pura e simplesmente, não implica que o ser se encontre em plena vivência da espiritualidade. De modo algum. Consideradas as questões vibracionais, logo após o plano físico encontramos a dimensão das emoções. É o chamado plano astral, onde se externa do espírito todo o atavismo milenar registrado em seu corpo espiritual. Comer, beber, dormir, fazer sexo são situações vividas durante milhares de anos nas diversas experiências reencarnatórias. Quando vêm para o lado de cá, na dimensão onde nos encontramos, é natural que os corpos espirituais tragam impressos em sua memória todas as experiências vivenciadas pelo ser. Tornam-se, assim, compreensíveis as sensações de fome e de sede, os desejos e os impulsos de sexualidade, que são gerados e elaborados na intimidade do espírito. No fim das contas...”

“- Quer dizer que o sexo não é algo pecaminoso? - não me contive e o interrompi.”

“- Claro que não! Nunca foi pecado e jamais o será! Por mais que preceitos moralistas, sustentados por indivíduos imaturos de todas as épocas, procurem transformar aquilo que Deus criou em erro, vergonha ou motivo de escárnio. Do lado de cá, o pensamento é tudo, e, já que a memória espiritual guarda os registros de todas as experiências...”

“- Vocês então vêem com naturalidade as manifestações do desejo entre os desencarnados? - novamente intervim na explicação de Tony, intrigado com o que acabara de ouvir.”

“- Podemos dizer: é algo tido como natural entre os recém-desencarnados. À medida que o espírito se libera das impressões sensoriais de sua última existência, o corpo espiritual reflete imediatamente a nova situação mental. Sexo é transfusão de energias, seja entre encarnados ou desencarnados. Os religiosos é que geralmente transformam o sexo em tabu ou em algo proibido, profano.”

“- Então posso considerar natural eu sentir as mesmas reações que sentia quando vivo?”

“- Vivo você permanece, como permanece viva na Terra a memória daquilo que você fez e de quem você foi, a sua arte e a sua obra. As reações de fome, sede e sexualidade só se manifestam do lado de cá enquanto estamos nas faixas de vibração próximas à da Crosta. Como lhe disse antes, ao atingir a condição de espiritualidade o ser transcende a função dos órgãos que ainda ostentamos em nosso corpo espiritual.”

“- E por quanto tempo mais ficarei nessa vibração próxima à da Terra?”

“- Só Deus sabe, meu amigo. Todos nós estagiamos no plano astral, às vezes por longos milênios, até que aprendamos o desapego da vida material.”

Sexo - As formas pensamentos e os obsessores

“Àquela hora, no princípio da noite, garotas e garotos de programa iam e vinham, muitos deles exibindo o próprio corpo, que punham à venda. Alguns rapazes menos vulgares traziam os olhos afogueados pela paixão por sexo. Travestis e alguns "entendidos", como se dizia antigamente, pareciam disputar a preferência de homens que os procuravam para a satisfação de seu apetite sexual. Permeando tudo e todos naquele local, vi uma nuvem escura, que dava a impressão de descer lentamente, de modo mais intenso sobre algumas pessoas em especial. Naquele mesmo instante, a névoa cinza-chumbo que a compunha era aspirada através dos poros e da respiração daqueles indivíduos.”

“O que você vê, meu amigo, é o resultado das criações mentais viciadas e viciantes. São larvas e bactérias, astralinas e vibriões mentais que os nossos amigos encarnados respiram juntamente com o ar que inalam.”

“O mundo está cheio de criações mentais dos seres humanos, e cada um respira de acordo com o clima psíquico que lhe é próprio. Ao lado das pessoas que divisava, dos garotos e garotas de programa que permaneciam a disputar clientes como quem caça suas presas, sem sequer cogitar o que ocorria, presenciávamos uma cena lastimável: espíritos em estado deplorável, uma verdadeira multidão de seres agrupados de acordo com suas afinidades. Alguns andavam, outros se arrastavam ou rastejavam sem o corpo físico, com terrível aspecto de mendigos espirituais. Pareciam conviver em harmonia com os humanos encarnados.”

“Os espíritos pareciam alheios a qualquer conceito de pudor e, muito menos, elevação moral. Grudavam-se às pessoas ali presentes, sugando-lhes as emanações etílicas e sensuais, tais como vampiros, ávidos pela energia sexual. Indiferentes à idéia da imortalidade ou a maiores responsabilidades, esses seres, invisíveis aos olhos humanos, praticavam atos sexuais entre si. Comportavam-se de tal maneira a influenciar os encarnados, que, aos poucos, cediam a seus estímulos. Na verdade, em alguns casos a simbiose era tamanha que se tornava difícil distinguir onde iniciava o impulso de um e terminava desejo do outro.”

“Dirigi-me instintivamente a uma outra parte da boate. Era um cômodo escuro e fétido. Talvez os encarnados que lá procuravam o prazer fácil nem sentissem o mal cheiro que o local exalava, mas era algo físico, tenho certeza. O chão estava repleto de criações mentais que, a meus olhos, assemelhavam-se a baratas. Os encarnados pisavam em tudo, e, à medida que o faziam, tais criações subiam-lhes pelos pés e pernas, alimentando-se de seus fluidos vitais. As paredes, pegajosas, pareciam absorver as emoções ou anular o poder de raciocínio. Era a embriaguez no mais alto grau, mais pela energia sexual que pelas drogas e bebidas, que ali rolavam à vontade.”

“Naquela sala totalmente escura aos olhos humanos, ninguém era de ninguém. Era um ambiente que os encarnados conheciam pelo nome de darkroom, devido à total ausência de luz. Todos se possuíam sem se ver, e eram levados à loucura.”

 

Consequências

“O amor carnal é ainda, com seus prazeres, um dos mais irresistíveis anseios da humanidade. A música, as luzes, o brilho e a fumaça do ambiente compõem uma atmosfera repleta de certa magia, segundo o ponto de vista dos encarnados, que dispersa qualquer sentimento ou propensão mais elevada. As boates são construídas e elaboradas com esse objetivo em mente. Caso não se procure sair imediatamente de tal lugar, sucumbe-se logo ao império dos sentidos e das emoções. Torna-se difícil escapar às sensações mais grosseiras. A energia sensual emanada nesses ambientes assemelha-se ao forte magnetismo de um ímã ao atrair as limalhas de ferro. Só que, nesse caso, as limalhas correspondem às vibrações mais densas e às entidades que têm afinidade com elas.”

“A sexualidade, quando perturbada, arroja o ser para faixas inferiores da vida. Tais pessoas, que se deixam dominar pelos excessos e perturbações de suas energias sexuais, não cometem crime algum. No entanto, aqueles que assim se comportam ligam-se às energias desgovernadas e às companhias espirituais de seus parceiros. “

“Dessa forma, sujeitam-se a longos processos obsessivos. Quanto mais dão vazão a todo tipo de extravasamento descontrolado da libido, o qual costuma traduzir-se em promiscuidade, mais são submetidos a impactos espirituais de grandes proporções. É uma violência. Regularmente, passam a entrar em contato com vibrações tão variadas e funestas, com entidades tão diversas e viciadas que, em casos mais graves e duradouros, apresentam a tendência de ter a individualidade descaracterizada. O eu fica perdido em meio a tantos parceiros, conluios espirituais e formas-pensamento desvitalizantes.”

“A energia sexual do ser sofre desgaste ao longo do tempo, e, progressivamente, esse desperdício de energias vitais acaba enfraquecendo o corpo e a mente. Excitada por uma enorme quantidade de imagens sexuais, a mente vibra intensamente, reproduzindo no corpo e no campo vital o ritmo da sobrecarga sexual. A vida pede reeducação, e não simplesmente abstenção. Cada qual, de posse da forma de manifestação do seu amor ou da sua energia sexual, é responsável pelo uso ou abuso que fizer desses elementos. Compete a cada um dar direcionamento superior à divina faculdade que lhe foi concedida, a sexualidade, assim como ao divino patrimônio que lhe foi confiado: os corpos, a mente e certa cota de vitalidade.”

18 de mar. de 2011

O Arrogante pensa que sabe tudo, o humilde aprende…

A humildade é a base e o fundamento de todas as virtudes e sem ela não há nenhuma que o seja.” Miguel de Cervantes

puzzle

 

Um homem é a soma de suas crenças, seu discurso e suas atitudes. Neste contexto, é natural que ao professar aquilo que acredita, esteja imbuído de convicção, seguro dos valores que elegeu enquanto suas verdades pessoais. Não raro, defendemos nossas opiniões com a certeza de que nosso ponto de vista é o correto e o do nosso interlocutor (quando é o caso) o errado. Nossa defensiva trata de descartar qualquer possibilidade de duas ou mais verdades coexistirem harmoniosamente, de completarem-se e resultarem na descoberta de uma verdade ainda maior.

Pense por um momento na vastidão do universo e em sua complexidade. Parece-lhe viável que toda a realidade que nos cerca possa ser explicada em um único livro? Que tantas diferentes culturas sejam capazes de assimilar este conhecimento da mesma forma, com as mesmas metáforas, mesmas palavras, mesmos rituais?

Se o conhecimento produzido pelo homem ao longo de apenas alguns milhares de anos precisou ser fragmentado em tantas disciplinas que quase nem dialogam entre si, que tipo de raciocínio nos leva a acreditar que os segredos da existência possam ser revelados em uma única filosofia, religião ou o que for?

Da mesma maneira que no mundo material, cada disciplina abrange um determinado território do saber humano - e mesmo as disciplinas se subdividem em tantas outras - também assim tem sido no plano espiritual. Diferentes crenças e religiões tem se prestado a levar a determinados tipos de pessoas o conhecimento que lhes seria possível assimilar e que lhes era necessário mediante suas características culturais, sociais, espirituais e circunstanciais.

É desta forma que surge, por exemplo, a Umbanda como um tipo de espiritismo mais popular que o Kardecismo. Da mesma maneira as Pentecostais se mostram mais eficazes em trazer para a religiosidade pessoas simples e que necessitam de uma linguagem mais direta e de uma moral mais rígida para se integrarem. A diversidade de linguagens e mensagens precisa ser proporcional à própria diversidade humana. Para alcançar os ouvidos e mentes é preciso alcançar primeiro o entendimento, falar o mesmo idioma e revelar apenas o conteúdo que pode ser assimilado. Também na escola não se ensina matérias complexas para quem ainda não aprendeu a ler.

Já que utilizei a metáfora da escola, me ocorreu perguntar “qual a principal característica de um aluno?”

Se o objetivo é aprender, sua principal característica é a humildade. O oposto disso é a arrogância que acredita que já sabe tudo.

Ao longo de minha vida, passei por diversas cidades e convivi com pessoas muito espiritualizadas, tanto em suas convicções quanto em seu comportamento diário. Em sua maioria eram pessoas estudiosas e que buscavam o conhecimento, mas conheci também pessoas simples e de profunda sabedoria. O que a maioria destas pessoas tinha em comum - a despeito de seu desenvolvimento espiritual e/ou intelectual e de todo conhecimento que possuíam - era o fato de que todo seu conhecimento se baseava em apenas alguns aspectos da espiritualidade e era totalmente fechado para outros. Vi pessoas participarem entusiasmadas de um ritual muito semelhante à Umbanda dentro de uma reserva indígena e julgarem o espiritismo de origem africana com preconceito. Vi pessoas com muito conhecimento acerca de Chakras e plexos e nenhum acerca de seres e dimensões e o oposto também.

Há algumas décadas a expressão “holística” ganhou força, representando uma visão do todo como maior do que a soma de suas partes. Este termo tem sido desde então utilizado na medicina, nas terapias, nas empresas, e mesmo na espiritualidade, ressaltando uma necessidade de reunirmos o saber fragmentado em um saber maior, onde os fragmentos interagem entre si. Na medicina, sabe-se que aspectos psicológicos influenciam órgãos físicos, causam dores e doenças. Profissionais de diferentes especialidades são necessários em cirurgias complexas em razão da comunicação entre diferentes órgãos. Nas empresas, investe-se mais na felicidade do funcionário por entender que estes produzirão melhor desta maneira. As terapias já não baseiam-se mais em uma técnica apenas, e misturam oráculos, apometria, reiki e - se percebem a necessidade - encaminham para casas espíritas para que sejam tratados também a mediunidade e os seres (guias e obsessores). Terapias de grupo como biodanza e musicoterapia utilizam técnicas de oficinas teatrais e misturam respiração, movimento, conscientização corporal, meditação e interatividade entre os participantes.

É própria de nosso tempo a multidisciplinaridade. A chamada geração C (nascidos após 1990) cresceu sob as ideologias da Web, de acesso livre, cooperação, troca e compartilhamento de informações, e o mesmo farão as gerações posteriores. Isso provocará alterações profundas em nossa sociedade. No campo da espiritualidade como no restante, cada vez mais as pessoas cruzarão informações gerando um novo conhecimento maior que a soma de suas partes. Estamos mais capacitados a compreender estas conexões múltiplas, nosso cérebro já não estranha a coexistência de informações de diferentes origens e, isto é também um exercício de humildade. Compreender o novo conhecimento implica em aceitar que o velho conhecimento não estava completo, é neste ponto que inicia a busca por perceber o todo.

Todo preconceito é arrogante e contraproducente, impede o aprendizado e a evolução. Quem acha que já sabe o suficiente está se condenando a ficar defasado e obsoleto diante das necessidades complexas do tempo presente e do vindouro.


Estamos iniciando aqui neste blog um processo de discussão sobre assuntos da espiritualidade. Nosso caminho é longo e estamos apenas no começo, portanto peço-lhe que - se gostar deste texto e do restante do conteúdo deste blog - auxilie divulgando para as pessoas que você conhece e que se interessam pelos assuntos aqui tratados.

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Que a luz do conhecimento sobrepuje as trevas do preconceito em nossas almas.

15 de mar. de 2011

2012 – TRANSFORMAÇÕES SIM, FIM DO MUNDO NÃO!

Black_and_White_1680_x_1050_by_dlund421792A única certeza que temos na vida é a morte, e apesar disso nos preparamos para tudo que é incerto e seguimos despreparados para ela. - Repetia meu velho professor, e acrescentava - Passamos a vida nos preparando para dezenas de possibilidades incertas... Na infância nos preparamos para a escola, que nos prepara para a faculdade que por sua vez nos prepara para o trabalho e a carreira. Preparamo-nos para encontrar o amor ou não e para constituir família, casar, separar, criar os filhos, enfim, passamos a vida nos preparando para uma infinidade de situações que talvez nem venhamos a viver, apenas não nos preparamos para o que é inevitável.
 
Vivemos um momento em que se fala muito em “fim dos tempos” ou “tempo do fim”. Dezenas de profecias e calendários apontam 2012 como um momento crítico na história do planeta e da humanidade que o governa. Instabilidades climáticas e frequentes deslocamentos das placas tectônicas reforçam esta imagem. Filmes, livros e uma infinidade de sites e blogs abordam este assunto com tons de tragédia e apocalipse, explorando o medo que ainda nos envolve ante a ideia da MORTE.
 
Nas minhas observações, identifiquei três diferentes reações ao assunto:
 
1. - Os que acreditam no fim do mundo apocalíptico;
2. - Os que não acreditam ou preferem nem pensar no assunto;
3. - Os evolucionistas.
 
Claro que existem inúmeros desdobramentos para cada uma das opções, mas superficialmente estão aí as principais tendências de pensamento no que tange a este assunto.
 
Eu me incluo entre os evolucionistas, e pretendo, nas próximas linhas abordar este assunto a partir de meu próprio ponto de vista, no intuito de jogar alguma luz sobre assunto tão obscuro, mas ciente de que a quantidade de informações não comprovadas em que me baseio para construir meu raciocínio talvez se preste a obscurecer ainda mais o tema. Sou partidário do conceito de teorias complementares, que surgem em diferentes momentos históricos de forma independente, mas que se cruzadas livremente  complementam-se, permitindo diálogos improváveis e perfeitamente verossímeis entre Darwin, Capra e Kardec, pra citar apenas alguns. Vamos então ao que viemos...
 

O EVOLUCIONISMO ÀS MARGENS DE 2012
 
Segundo Darwin, o que ele denominou seleção natural é o principal responsável pela evolução das espécies, permitindo apenas que os melhores de cada grupo sobrevivam e reproduzam, aprimorando características a cada nova geração, sendo a capacidade de adaptação o aspecto determinante na continuidade de cada espécie.
 
Já o físico Fritjof Cappra, mais recentemente, traça um paralelo entre a física nuclear e a filosofia taoísta, referindo-se ao salto quântico observado nas reações de fótons e elétrons estimulados. Em linguagem leiga o salto quântico pode ser descrito assim: “A mudança de vibração de um estado a outro de uma vez só, sem um gradual aumento ou diminuição dessa vibração que possa ser medido.”
 
No espiritualismo pós Kardec bem como no taoísmo e budismo, acredita-se que o espirito reencarna tantas vezes quanto necessário, aprimorando-se, até alcançar um nível evolutivo que lhe permita unir-se a outro grupo de espíritos que já não necessitam do processo encarnatório como meio evolutivo.
 
Estão listados, portanto três conceitos que serão recorrentes no decorrer deste texto: Seleção natural, Salto Quântico e Reencarnação. Gostaria de esclarecer de antemão que, o que vem a seguir é opinião pessoal, maneira particular de entender e explicar alguns assuntos controversos e que, não pretendo impor verdades, apenas compartilhar minhas conclusões e, a medida do possível explicar como cheguei a estas.
 

MUITOS MUNDOS DENTRO DO MUNDO
 
A Bíblia nos fala em 4 dimensões: Terra, Céu, Inferno e purgatório. Reconheço a existência destas, porém discordo de suas descrições por parte do citado livro. Estudos mais recentes nos trazem informações mais precisas acerca destes ambientes e seus habitantes e as razões para que lá habitem ou estagiem. Muitas são as origens daqueles que comumente denominamos humanos e, para evitar que o assunto divague para longe do que pretendo, tratarei todas as formas de consciência semelhantes por humanos.
 
Entendo que o universo que habitamos (e sim, creio que existem inúmeros outros) tem um propósito que desconhecemos em sua totalidade, mas que compreendemos parcialmente. Evoluímos da brutalidade em direção à sutileza, de animais a espíritos, de seres orientados por instintos primários, para seres orientados pela razão e pela sensibilidade, com diferentes capacidades de compreender o coletivo e trabalhar em prol do mesmo. A diferença aqui é entre competição e cooperação. Originalmente, competimos uns com os outros pela sobrevivência, evolutivamente, cooperamos uns com os outros sem que o objetivo original se altere. A diferença entre as duas abordagens denota diferentes níveis evolutivos. O entendimento de que somos um coletivo gigantesco caminhando em uma mesma direção - e não grupos adversários guerreando entre si - só nos dias atuais começa a ganhar força como uma tendência de pensamento.
 
Utilizando-me dos termos bíblicos para cada uma das dimensões anteriormente citadas, eu descreveria a realidade de seus habitantes da seguinte maneira:
 
TERRA: Escola, local de aprendizado onde somos enviados no início da manhã e de onde retornamos ao fim do dia, sabedores de que muitos dias serão necessários até que completemos nossos estudos neste nível e possamos almejar estudos superiores.
 
CÉU: Local administrativo, onde se encontram os administradores do planeta, aqueles que já formados no ensino básico, estagiam na administração planetária enquanto concluem seus cursos de mestrado e pós-graduação. Também é para onde muitos de nós retornam após a escola, dependendo do que assimilamos do ensino diário.
 
PURGATÓRIO: Local de transeuntes, perdidos no caminho entre uma dimensão e outra, habitado por pessoas confusas diante da realidade espiritual e/ou sem méritos escolares suficientes para retornar ao lar após o dia de aula. Seus habitantes costumam ser vítimas fáceis dos habitantes das regiões infernais.
 
INFERNO: Local de degredo dos opositores da administração planetária. Como em qualquer sistema de governo, há a oposição. Por entender que os métodos de persuasão destes são desleais e insalubres para a população planetária, com base em métodos escravocratas que visam o bem estar de alguns em detrimento de outrem, a administração do planeta restringe a liberdade de ação destes de acordo com seus graus de periculosidade, porém, os oficiais superiores deste exército tem livre trânsito nas regiões do purgatório e o restante atua livremente mesmo nas regiões terrenas, sob ordens daqueles que estão confinados. Semelhante ao que se observa nos presídios brasileiros, de onde os líderes seguem comandando suas organizações.
 
Já no presente momento, as dimensões inferiores - INFERNO E PURGATÓRIO - passam por processo rígido de higienização, com seus habitantes sendo conduzidos alguns à reencarnação (aqueles que ainda apresentam condições para isso), enquanto aqueles que evitaram o processo encarnatório por milênios - e que já não apresentam condição vibratória para  reencarnar - aguardam o degredo inevitável.
 

O SALTO QUÂNTICO
 
Para aqueles que argumentam que “nunca antes se teve tantas notícias de barbáries cometidas pela humanidade contra seus semelhantes e contra os demais habitantes do planeta (incluindo o próprio)”, eu replico que nunca antes se teve meios de comunicação eficientes para que as notícias nos alcançassem. A história mostra que já fomos muito piores, permitimos e aceitamos dentro da normalidade atos muito mais animalescos do que nos dias atuais. Muitas das notícias que nos assombram hoje, sequer seriam noticia em outros tempos, de tão triviais. Diferentemente daqueles que julgam estarmos involuindo, eu acredito que nunca antes tivemos um número tão grande de pessoas esclarecidas. Se em pleno século XXI, ainda realizamos barbáries contra nossos semelhantes, contra animais, contra a natureza, se ainda há a desigualdade social e se os benefícios da tecnologia e da cultura ainda não estão ao alcance de todos, é porque não se muda o mundo em um dia, mas percebo indubitáveis avanços e em velocidade crescente.
 
Quando uma determinada parcela da população alcançar um nível superior de consciência, se dará o salto quântico, arrastando na corrente evolutiva os restantes que estiverem no limiar e, descartando os que ficarem para trás.
 

UMA OUTRA HISTÓRIA PLANETÁRIA
 
Com exceção dos índios, aborígenes e outras culturas tribais, não somos originários deste planeta. Ainda que muitos de nós tenhamos passado por diversos outros planetas antes, e ainda outros tenham vindo para este em momentos posteriores, a maioria de nós é oriundo de Capela. Um planeta semelhante à Terra e que passou por processo evolutivo idêntico há alguns milhares de anos.
 
Quando chegou o momento do salto quântico e consequente evolução espiritual do planeta e sua população, nós éramos os retardatários, os repetentes, os que ficaram para trás. Não havia mais em Capela, lugar para espíritos no nosso nível evolutivo e, como não fomos capazes de “saltar” para um nível superior junto com os demais, fomos encaminhados para um planeta com características adequadas para reiniciarmos o ano letivo.
 
Passados alguns milênios e eis que o novo planeta que habitamos torna a viver situação análoga e, mais uma vez, teremos a oportunidade de evoluirmos com o planeta ou sermos transferidos para outro, nas mesmas condições em que encontramos a Terra quando aqui chegamos. Pelo menos até onde eu sei, não há maneira de abandonar os estudos, quem não passar de ano será invariavelmente remanejado para outra escola.
 

O APOCALIPSE MAIA
 
Para o bom entendedor, o parágrafo acima já explicou os conceitos de juízo final, dos escolhidos do calendário MAIA e das profecias apocalípticas correntes, mas cabe ainda alguns esclarecimentos...
Comecei exte texto falando da morte e, um pouco mais adiante classifiquei a terra como escola, para onde vamos no início do dia e de onde retornamos ao final do mesmo. Minha intenção é trazer para a compreensão cotidiana um elemento cotidiano. A morte ou desencarne, ocorre diariamente e não é algo a ser lamentado, como não se lamenta o fim de um dia, por melhor que ele tenha sido, afinal, sabemos que haverá outro dia. 
 
Diz o ditado popular que “não se faz omelete sem quebrar alguns ovos”. Para uma reforma planetária nos níveis em que ocorrerá na Terra, muitas mudanças serão necessárias e, como em qualquer mudança, haverá desconforto e um período de adaptação até que a normalidade se estabeleça dentro de uma nova ordem. Não será uma transição fácil nem prazerosa, e talvez aí consista a prova final para que passemos de fase. Como em um parto, haverá muito sangue, dor e sujeira para produzir uma nova vida, desencarnes coletivos e mudanças na geografia planetária, crises de abastecimento, fome, revolta e confusão. Durante muito tempo, aqueles que sobreviverem enfrentarão provações inimagináveis na reconstrução do planeta e a dor de uma civilização em ruínas, o que em uma primeira análise pode parecer catastrófico e pessimista. Por isso é importante ter os olhos no futuro, compreender que este processo é necessário para a construção de uma sociedade mais justa e de uma humanidade mais espiritualizada.
 
Ainda que não devamos endurecer nossos corações e deixar de sentir pelo que acontece aos nossos semelhantes, é importante que compreendamos a transitoriedade da vida como um processo natural, e paremos de encarar a morte com o sentimento de perda que atualmente lhe devotamos. A transição desta dimensão para a dimensão espiritual não é apenas boa, como desejável, embora não a possamos acelerar e tenhamos a responsabilidade de evitar tanto a nossa quanto a dos demais seres vivos, para que tenhamos todos, o tempo necessário para aprender a lição que o dia de aula reservou para cada um de nós.
 

CONSIDERAÇÕES FINAIS
 

Estamos iniciando aqui neste blog um processo de discussão sobre assuntos da espiritualidade. Nosso caminho é longo e estamos apenas no começo, portanto peço-lhe que - se gostar deste texto e do restante do conteúdo deste blog - auxilie divulgando para as pessoas que você conhece e que se interessam pelos assuntos aqui tratados.

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9 de mar. de 2011

O Blog e o Coletivo Oculto


                                                                                                                                             
O fenômeno batizado "Globalização" e o advento da internet, nos proporcionam um potencial comunicativo sem precedentes históricos, trazendo a informação ao alcance do "mouse" e instigando a curiosidade científico-espiritual. Hoje, mais facilmente que ontem, podemos traçar paralelos entre diferentes culturas e buscar pontos de convergência. 
Parto do pressuposto de que todas as religiões - originalmente - transmitem a parcela de conhecimento passível de assimilação e  compatível ao período histórico de seu surgimento bem como a região e cultura local. Os diferentes idiomas, traduções, tradições orais além da transformação temporal da linguagem ao longo dos séculos, são os principais responsáveis pela possível má interpretação que fazemos das religiões atualmente, distanciando-nos de seus fundamentos.  
Se a humanidade tem uma origem comum - eis um "quase" consenso - , não é provável que a cultura nos tenha distanciado tanto uns dos outros. Entendo que esta distância é apenas aparente e que, as diferentes linhas evolutivas que construímos correm paralelas, convergem em alguns momentos e se encontram no início e ao cabo. Com um pouco de "boa vontade" podemos facilmente encontrar em Platão ou Sócrates, assuntos correlatos aos de Allan Kardec, Krishnamurti ou mesmo de Jesus Cristo. Aquilo que se nos mostra como diferentes verdades não são excludentes entre si mas, complementares. Nada - além do preconceito - indica que uma pessoa que crê possuir um Anjo da Guarda não possua também um Orixá ou um Exu, ou que seja filho de Deuses Gregos e ainda estar atrelado à Samsara dos budistas e hinduístas
Em alguns casos, o mesmo "ser" ou "fenômeno" recebe diferentes nomes em diferentes idiomas e culturas, em outros, a existência de uns não é prerrogativa para a inexistência de outros.
Lançar sobre a mesa o conhecimento filosófico/espiritual/científico produzido pela humanidade ao longo de milênios e trata-lo como peças de um quebra-cabeças, ajustando os fragmentos semelhantes de forma a construir uma imagem do todo é o objetivo deste blog, alimentado por um coletivo anárquico composto por estudiosos de diferentes áreas do saber humano.

Nosso processo de criação é coletivo e acontece dentro de um blog intitulado Círculo Interno, onde debatemos os assuntos antes de postá-los aqui. Nosso ano está começando agora e pretendemos trazer novos conteúdos e assuntos após o feriado de Pascoa. Até lá deixamos aqui alguns livros para que nossos futuros leitores se familiarizem com os tópicos que pretendemos discutir.

1 de jan. de 2011

O Tao da Física - Fritjof Capra

O Ponto de Mutação - Fritjof Capra

A Teia da Vida - Fritjof Capra

As Conexões Ocultas - Fritjof Capra

Sabedoria Incomum - Fritjof Capra

A Profecia Celestina - James Redfield

A Décima Profecia - James Redfield

O Segredo de Shambala - James Redfield

Ísis Sem Véu vol.1 - H.P.Blavatsky



Ísis Sem Véu vol.2 - H.P.Blavatsky



Ísis Sem Véu vol.3 - H.P.Blavatsky



Ísis Sem Véu vol.4 - H.P.Blavatsky



Código de Umbanda - Rubens Saraceni



Apocalipse - Ângelo Inácio por Robson Pinheiro



Iniciação à Escrita Mágica Divina - Rubens Saraceni



Diálogo com um Executor - Rubens Saraceni



O Livro das Energias - Rubens Saraceni



O Guardião da Meia-noite - Rubens Saraceni



A Lenda do Sabre Sagrado - Rubens Saraceni